It takes two to tango

Quantas vezes a vida não parece mais estranha do que a ficção? Isso é porque toda a ficção se inspira directamente na vida! É porque somos todos medricas que costumamos optar pela ficção. Só que este blog vai optar pela vida... ou algo assim...

domingo, maio 14, 2006

Uma ida à santa missa


Em pleno mês Mariano, quando os fiéis que se deslocam a Fátima armam uma batalha campal porque não os deixam assistir a uma cerimónia qualquer, lá fui com o meu filho a uma sessão de terço, numa igreja cheia de culturalmente curiosas imagens macabras, o que se inseria na santa programação da catequese do miúdo. Chama-se a isto solidariedade.
Foi soporífero mas também, permitam-me repetir-me, culturalmente curioso. Adorei ver aquele bando de hipócritas borrados de medo do inferno e dos atemorizantes pecados mortais entoar aqueles cânticos de terceira apanha, adorei vê-los ajoelharem-se diante das imagens, diante dos seus ídolos, adorei toda aquela sequência de mantras a que já roubaram qualquer sentido mântrico há séculos!
Será que vão pedir milagres para a destruição dos inimigos que as suas mentes distorcidas criam um pouco por todo o lado? Será que vão pedir a todos os exércitos de santos para fazer cair o tecto em cima do vizinho que pôs a música um pouco mais alto no fim de semana passado? Será que vão rezar um desculpabilizador Pai Nosso mudo da próxima vez que praticarem o incriminador sexo? Será que se vão ajoelhar em arrependimento depois de chularem, maltratarem o próximo, cujas razões sempre serão más?
Como diria Johnny Lydon: Do you pray to the Holy Ghost when you suck your host?


Imagem de www.scoop.co.nz.

3 Comments:

At 9:15 da tarde, Blogger Anarquista Duval said...

Como é que deixas o miudo ir à catequese...
Não deveria ser ele por sua livre vontade escolher a religião que melhor se lhe adequa?

 
At 1:58 da manhã, Blogger Master Minder said...

Como é que deixo o miúdo ir à catequese? Boa pergunta.Mas de resposta simples. É que ele tem uma mãe. E família (suspiro aqui)... De qualquer maneira, não lhe fará muito mal ir à catequese... Na verdade, aprenderá coisas que não aprenderia se não fosse - umas melhores, outras piores, umas pela positiva, outras pela negativa. Com franqueza, às vezes apetecia-me desaparecer para os mares do sul ou coisa parecida. Mas não. Precisamente porque ele precisa de mim. Com a mãe vai aprender certas coisas úteis e não aprender certas coisas perfeitamente inúteis. Comigo, vai aprender outras. Isto, sem necessidade de colisões. Mais tarde, livremente, fará as suas próprias contas de somar e subtrair. Abraço.

 
At 2:09 da manhã, Blogger Anarquista Duval said...

Percebi-te. E compreendo-te agora.

 

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